Projeto quer proteger
espécies
Especialistas querem acabar com o estigma
de que o animal é um "bicho do mal"
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O Laboratório de Análises de Peçonhentos e Quirópteros
(LAPQ), da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia, recebe uma média de 35
chamadas de presença de morcegos em residências na área urbana. Já na zona
rural, os casos são mais raros. Na maioria dessas chamadas, os moradores querem
exterminar os morcegos por medo de um ataque. Mudar esse comportamento, acabar
com o estigma de que o morcego é um "bicho do mal", e despertar a consciência
para a preservação da espécie são as propostas principais do Projeto Morcego
Livre, um trabalho que é desenvolvido há um ano pelo laboratório, com apoio da
Secretaria Municipal de Serviços Urbanos.
A principal reclamação dos moradores é de que os
morcegos deixam muita sujeira nas paredes, se agrupam no forro das casas ou
ainda comem as frutas da residência. O projeto orienta a população sobre os
hábitos desses animais, que não atacam pessoas (com exceção de casos raros de
morcegos hematófagos) e informa sobre os seus hábitos alimentares. Os técnicos
também monitoram o vírus da raiva e a localização de colônias. Raramente eles
fazem apreensão de animais ou retirada de colônia, formadas a partir de dois
morcegos. Eles são identificados e soltos em seguida.
Em Uberlândia, existem hoje cerca de 26 espécies de
morcegos já identificadas e catalogadas. No Brasil são 138 espécies e por volta
de mil em todo o mundo. Os morcegos são considerados animais silvestres com
risco de extinção e, por isso, não podem ser exterminados. O ato é caracterizado
legalmente como crime ambiental. Segundo o coordenador do LAPQ, Wiliam Henrique
Stutz, muita gente se assusta com essa informação. A maioria das espécies de
morcegos se alimenta de plantas e insetos e alguns de pólen e frutas. Esses
últimos espalham sementes de diversas espécies de árvores contribuindo para a
recomposição das matas. Três espécies se alimentam de sangue, que são os
morcegos hematófagos.
Especialista diz que ataque são
raros
O coordenador do Laboratório de Análises de
Peçonhentos e Quirópteros (LAPQ), Wiliam Stutz, a idéia do projeto é transformar
a imagem de que morcego é um bicho do mal. Esse estigma ajuda a manter mitos
como o de que o morcego é um rato de asas, que enrosca no cabelo das pessoas e
ataca a população com freqüência. Segundo o coordenador esse tipo de mamífero
possui um sistema de orientação de direção que o permite desviar de qualquer
obstáculo à sua volta. Os casos de ataque de morcegos hematófagos em humanos são
raros. "Em geral, ele só ataca para se defender. As pessoas precisam entender
que o cerrado, ambiente natural das espécies, foi invadido pela urbanização",
afirmou.
Os morcegos hematófagos, conhecidos como vampiros,
também auxiliam pesquisas científicas na busca de medicamentos para doenças do
coração. Na saliva dos morcegos, uma substância anticoagulante ajuda nesse
trabalho. O coordenador orienta as pessoas que tiverem contato com um morcego a
acionar o Laboratório de Análises de Peçonhentos e Quirópteros, pelo telefone
3255-3028.
ONG
O Projeto Morcego Livre desenvolve também ações com a comunidade de
Uberlândia. O trabalho ganhou o reforço do site www.morcegolivre.vet.br São informações
sobre os hábitos alimentares, espécies, fotos e vários dados sobre o habitat dos
morcegos. Um grupo de seis moradores do bairro Jardim Karaíba está se preparando
para fundar a Organização Não Governamental Morcego Livre.
O primeiro trabalho da ONG será o lançamento de um
CD-ROM com cerca de 15 jogos, contos e brincadeiras voltadas para crianças a
partir de 6 anos de idade. Cerca de 6 mil CDs serão produzidos, com apoio da Lei
Estadual de Incentivo à Cultura. O custo do projeto é de R$ 180 mil, que serão
captados na iniciativa privada. O projeto da ONG Morcego Livre inclui também uma
exposição de arte com fotos, charges e ilustrações das principais espécies.
O CD-ROM será distribuído em escolas públicas e
particulares de Uberlândia. Segundo um dos idealizadores da organização, Wiliam
Henrique Stutz, a idéia nasceu no Jardim Karaíba pela sensibilização dos
moradores e pelo fato de o pesquisador morar no local. A entidade está reunindo
recursos para o seu registro oficial e conta com apoio da World Wild Foundation
(WWF Brasil), Biotemas e Ministério do Meio Ambiente. "Também recebemos apoio de
grandes nomes da arte gráfica brasileira como Laerte, Gonsales, Henringer entre
outros", afirmou Stutz.
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