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Especialistas querem acabar com o estigma de que o animal é um "bicho do mal" - 14/09/2002 21:34:12

Projeto quer proteger espécies

Especialistas querem acabar com o estigma de que o animal é um "bicho do mal"

cidades@netsabe.com.br


O Laboratório de Análises de Peçonhentos e Quirópteros (LAPQ), da Secretaria Municipal de Saúde de Uberlândia, recebe uma média de 35 chamadas de presença de morcegos em residências na área urbana. Já na zona rural, os casos são mais raros. Na maioria dessas chamadas, os moradores querem exterminar os morcegos por medo de um ataque. Mudar esse comportamento, acabar com o estigma de que o morcego é um "bicho do mal", e despertar a consciência para a preservação da espécie são as propostas principais do Projeto Morcego Livre, um trabalho que é desenvolvido há um ano pelo laboratório, com apoio da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos.

A principal reclamação dos moradores é de que os morcegos deixam muita sujeira nas paredes, se agrupam no forro das casas ou ainda comem as frutas da residência. O projeto orienta a população sobre os hábitos desses animais, que não atacam pessoas (com exceção de casos raros de morcegos hematófagos) e informa sobre os seus hábitos alimentares. Os técnicos também monitoram o vírus da raiva e a localização de colônias. Raramente eles fazem apreensão de animais ou retirada de colônia, formadas a partir de dois morcegos. Eles são identificados e soltos em seguida.

Em Uberlândia, existem hoje cerca de 26 espécies de morcegos já identificadas e catalogadas. No Brasil são 138 espécies e por volta de mil em todo o mundo. Os morcegos são considerados animais silvestres com risco de extinção e, por isso, não podem ser exterminados. O ato é caracterizado legalmente como crime ambiental. Segundo o coordenador do LAPQ, Wiliam Henrique Stutz, muita gente se assusta com essa informação. A maioria das espécies de morcegos se alimenta de plantas e insetos e alguns de pólen e frutas. Esses últimos espalham sementes de diversas espécies de árvores contribuindo para a recomposição das matas. Três espécies se alimentam de sangue, que são os morcegos hematófagos.


Especialista diz que ataque são raros

O coordenador do Laboratório de Análises de Peçonhentos e Quirópteros (LAPQ), Wiliam Stutz, a idéia do projeto é transformar a imagem de que morcego é um bicho do mal. Esse estigma ajuda a manter mitos como o de que o morcego é um rato de asas, que enrosca no cabelo das pessoas e ataca a população com freqüência. Segundo o coordenador esse tipo de mamífero possui um sistema de orientação de direção que o permite desviar de qualquer obstáculo à sua volta. Os casos de ataque de morcegos hematófagos em humanos são raros. "Em geral, ele só ataca para se defender. As pessoas precisam entender que o cerrado, ambiente natural das espécies, foi invadido pela urbanização", afirmou.

Os morcegos hematófagos, conhecidos como vampiros, também auxiliam pesquisas científicas na busca de medicamentos para doenças do coração. Na saliva dos morcegos, uma substância anticoagulante ajuda nesse trabalho. O coordenador orienta as pessoas que tiverem contato com um morcego a acionar o Laboratório de Análises de Peçonhentos e Quirópteros, pelo telefone 3255-3028.

ONG

O Projeto Morcego Livre desenvolve também ações com a comunidade de Uberlândia. O trabalho ganhou o reforço do site www.morcegolivre.vet.br São informações sobre os hábitos alimentares, espécies, fotos e vários dados sobre o habitat dos morcegos. Um grupo de seis moradores do bairro Jardim Karaíba está se preparando para fundar a Organização Não Governamental Morcego Livre.

O primeiro trabalho da ONG será o lançamento de um CD-ROM com cerca de 15 jogos, contos e brincadeiras voltadas para crianças a partir de 6 anos de idade. Cerca de 6 mil CDs serão produzidos, com apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. O custo do projeto é de R$ 180 mil, que serão captados na iniciativa privada. O projeto da ONG Morcego Livre inclui também uma exposição de arte com fotos, charges e ilustrações das principais espécies.

O CD-ROM será distribuído em escolas públicas e particulares de Uberlândia. Segundo um dos idealizadores da organização, Wiliam Henrique Stutz, a idéia nasceu no Jardim Karaíba pela sensibilização dos moradores e pelo fato de o pesquisador morar no local. A entidade está reunindo recursos para o seu registro oficial e conta com apoio da World Wild Foundation (WWF Brasil), Biotemas e Ministério do Meio Ambiente. "Também recebemos apoio de grandes nomes da arte gráfica brasileira como Laerte, Gonsales, Henringer entre outros", afirmou Stutz.



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